Ouvi uma voz que não conhecia

20/06/2010 at 23:34 (Elaborações)

Implicado na minha metamorfose, desfiz antigos nós. Acabei descobrindo outros, mas eles já estavam lá, eu sei. Talvez até esteja ficando bom em desatar nós, o que me complica é me defrontar com a liberdade daquilo que eles amarravam.

E é assim pro bem e pro mal. O professor de canto foi preciso – “sua voz tá saindo baixo pq você está querendo fazer certo, não está querendo errar, tem que deixar o som sair, depois a gente corrige”. Se ele fosse lacaniano ia me mandar prá casa na hora. Aproveitei que ele não era nem freudiano nem nada e ri sozinho por dentro com a segurança de que ele não tinha entendido a própria interpretação. Aí tentei de novo, direito, me olhando no espelho e de repente ouvi uma voz que não conhecia, era eu. Quando eu vi era eu.

e continua…

(é claro)

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onde só você me salva

10/04/2010 at 18:58 (Painel Poesia)

[música em construção]

Meu bem, desliga o som. Eu quero ouvir o som da rua. Eu quero ouvir você, e sentir o vento da estrada. Cá estou eu a conversar à sós e finjo ter você ao lado como fingi não gostar de você. Que fingidor eu sou…

Então começo a achar saídas pro meu tédio e vou falar de amor. Mas não consigo. Fiquei preso num mundinho todo meu onde só você me salva.

Meu bem, abre a janela. Eu vim pra ver a luz da Lua. Eu vim pra ver você. Mas é difícil dizer quando o assunto em questão é o amor.

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Life on Mars

28/03/2010 at 00:06 (Painel Poesia)

(mais uma música do David Bowie que fica bem melhor em vozes brasileiras… é só minha opinião, é claro)

LIFE ON MARS
[letra por SEU JORGE]
F          F/E            Eb5-
 Quando as coisas do coração
        D             Gm
 Não consegue compreender
         F                 C7
 O que a mente não faz questão
                            F
 E nem tem forças para obedecer
         F/E            Eb5-
 Quantos sonhos já destruí
       D               Gm
 E deixei escapar das mãos
          F                C
 E se o futuro assim permitir
                       Eb   
 Não pretendo viver em vão
      C/E             Fm
 Meu amor não estamos sós
        G#/F#                C#9
 Tem um mundo a esperar por nós
       A5-           Bbm
 Do infinito do céu azul
   B
 Pode ter vida em marte
        Bb
 Entao vem cá
    Eb
 Me dá a sua língua
Gm
 Então vem
    F#º            F
 Eu quero abraçar vocë
Fm                Cm
 Seu poder vem do sol
Eb
 Minha medida
Bb
 Entao vem
    Eb
 Vamos viver a vida
Gm
 Então vem
  F#º                     F
 Se não eu vou perder quem sou
Fm               Cm
 Vou querer me mudar
Eb                Gm   
 Para uma Life on Mars


[a cifra é do cifraclub, por pratsss, Helio51 e Brasuca]

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diários da mudança II

27/03/2010 at 21:47 (Elaborações)

Não sei, acho que foi quando eu vesti o uniforme.

Ao mesmo tempo, num intervalo, olhei pro meu corpo então “camuflado e verde-oliva” e parecia como se tivesse acabado de chegar ali (no meu corpo), como se algum viajante do tempo displicente tivesse bagunçado a realidade e me deixado ali, militar.

Até então só mesmo ficção científica pra explicar isso.

Mas então só pude agradecer pela capacidade infinita da Terra de dar voltas e voltas.

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Diários da mudança I

09/03/2010 at 20:34 (Elaborações)

Voltei pra casa com um desgosto sem fontes conhecidas…

Será que foi sair mais tarde do que devia? Será que foi o esporro pelo erro dos outros? Quererem que eu aceite a força uma tal justiça quando no fundo é tudo hierarquia?

Não sei o que foi, só tive hipóteses.

Numa conversa semana passada falei do meu medo de me transformar em algo que não gosto. Acho que os riscos são muitos. Mas aí pensei no desafio e na recompensa. Essa é a minha missão: sobreviver a isso tudo e só pegar a parte boa – disciplina, resolutividade, ação, força, saúde, discernimento – só isso pode servir de arma contra o que eu não quero mais ser e o que eu não quero me tornar.

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Casuarinas Casuais

28/02/2010 at 12:34 (Elaborações)

casuarinas casuais

20/10/06

Casuarinas nada casuais sustentam caminhos por sobre as águas de um lago poluído por indústria de ácidos e bases meio abandonada
meio perdido fiquei ao rodar na restinga que restou no nosso litoral que guarda paisagens estranhas como um lago vermelho e um lago sem lago guardado por urubus que só serve para devorar carros de incautos que por ali passam
mas passei sem ser devorado por que os urubus são bichos feios porém sinceros e compreensivos e me avisaram dos perigos de andar por aí tão pesado em lugar feito para coisas leves como a areia e o sal
sal tinha é na água onde me mergulhei me exclamando sobre tal estrada estranha que peguei para ver o mar confirmando a tese que diz que se o chamado é das ondas não importa meu medo de me afogar

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terra à vista?

26/02/2010 at 20:27 (Painel Poesia)

Ontem,

foi triste te ver partindo

exibindo certa conquista

quando anuncia tua chegada

em cada porto – que é miragem – ,

gritando a todos “terra à vista!”.

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a mãe do ouro

18/02/2010 at 11:04 (Lendas)

mini conto prá colorir a foto:

” … ele viu o fogo de santelmo explodir no alto da mata e não pôde fazer nada senão atender ao chamado da mãe-do-ouro. Correu por entre as árvores até chegar à muralha onde topou com uma visagem que lhe ordenou: cava! Ali, enterrado por capricho de assombração ele encontrou muito ouro, que o fez o mais rico do povoado. As pessoas de bem não acreditam no que te conto, mas tudo aí sabe que ele bem enriqueceu, mas é comum se esquecer que prá sempre ele foi sozinho, e assim morreu… Encontraram ele meses depois do acontecido, como se ninguém notasse sua falta. Tava lá na muralha, só não sei se procurando ouro ou explicação…”

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habilmente retoquei o dia

23/01/2010 at 18:03 (Elaborações)

Num dia feio resolvi mudar (acho que se ele fosse belo eu continuaria…).

Fui visitar meus amigos, fiz a barba, troquei as cordas do violão… e este último não fica mais guardado num canto, pq a banda voltou a existir, mesmo que sem nome.

Fui dançar, gastei dinheiro, economizei também… pq este fica guardado, num banco, investido em ações das empresas mas nas minhas ações tbm.

Agi livre e leve, sem pensar no ágio ou em agilidades.

Habilmente retoquei o dia, fiz do cinza um charme em preto e branco, dos traços tortos um estilo naíve, do mormaço um calor humano e da falta de tempo um final feliz.

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Onde está tua fé, lá estou

16/12/2009 at 10:28 (Painel Poesia)

“Onde me procuras?
Estou contigo.
Não nas peregrinações ou nos ídolos,
tampouco na solidão.
Não nos templos ou mesquitas,
tampouco na Caaba ou no Kailash.
Estou contigo, ó homem
estou contigo.
Não nas preces ou na meditação,
tampouco no jejum.
Não nos exercícios iogues ou na renúncia,
tampouco na força vital ou no corpo.
Estou contigo, ó homem,
estou contigo.
Não no espaço etéreo ou no útero da terra
tampouco na respiração da respiração.
Procura ardentemente e descobre,
em um instante único de busca.
Kabir diz: escuta com atenção!
Onde está tua fé, lá estou.”

Kabir Das, poeta do norte da India, século 15, indicando o lugar onde Deus pode ser encontrado

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